EDIÇÃO 248 AGOSTO / 2021  

PAPA TERRA

Há muito tempo que falamos e exaltamos esse peixe que é tão nosso, tão típico da nossa gente praieira. O Papa Terra é peixe que se encontra em toda a extensão da costa brasileira, mas aqui na praia da Cidreira, o Papa Terra tem um espaço especial. Representa muito bem a nossa cultura alimentar, vem da rede do pescador direto para as nossas cozinhas. Usamos por inteiro. Esse peixe quando frito é de um sabor único, fica crocante e leve, temperado com sal, limão e alho, e da cabeça fazemos um delicioso pirão com farinha de mandioca, cebola e pimenta preta.
E pra finalizar o Papa Terra é do gosto popular aqui em Cidreira, representa a pesca abundante, o peixe fresco, o esbaldar-se em sua fritada. Encontramos o ano inteiro nessa vastidão de ondas, sempre nos lembrando de que o nosso mar está pra Papa Terra.
Levei a arte de preparar a Fritada de Papa Terra para agregar na publicação organizada pela ilustradora Monica Papesko, que lançou o livro: “Receitas da Terra” recheado de receitas preparadas no Litoral Norte do RS, com ingredientes locais, orgânicos e PANCS (Plantas Alimentícias Não Convencionais). O livro ainda possui lindas ilustrações de encher os olhos. Nada melhor para representar Cidreira do que esse prato tão nosso!
Viva o Papa Terra!

RECEITA: FRITADA DE PAPA TERRA

a) Um tanto de Papa Terra que renderam da pesca.
b) Alho, sal e pimenta rosa a gosto.
Limões bergamota (pra limpar, temperar e servir com o peixe)
c) Farinha de trigo pra empanar
d) Azeite pra fritar

Pra limpar o papa terra, é importante caprichar na limpeza: tirar as escamas e o fel de dentro ou seja, o amargo do peixe. Remover e reservar as cabeças pro preparo do pirão. Manter o rabo (a parte mais gostosa dessa brincadeira toda);
Com um pouco dos limões, lavar os peixes rapidamente e retirar em água corrente. Em seguida, dispor em um prato e temperar com sal, mais limão e pimenta rosa;
Passar peixe por peixe na farinha de trigo, empanando pra fritar;
Aquecer o azeite e fritar até que fiquem bem coradinhos dos dois lados.
Servir na hora e, claro, dispor uns limões pra temperar.
Bom apetite!

 

EDIÇÃO 247 JULHO / 2021

O MAMÃO NAS PAISAGENS


O mamão no pé já faz parte da paisagem da nossa praia. O mamoeiro tem folhas bonitas e avoadas pelo vento. Nos quintais e pátios, entre bananeiras e aroeiras, lá está o mamoeiro carregado de frutos. Ele não é original daqui, mas aqui se firmou. Nasce e cresce com facilidade, basta devolver suas sementes pra terra e lá estará o brotinho de mamoeiro acusando o seu enraizamento. Já ouvi por aí sobre o consumo do mamão ainda verde, seja em doces ou preparado como legume, já que ainda não está maduro, tem um sabor mais neutro. Resgatar essa sabedoria e aprender sobre essa relação nos é favorável. As folhas também podem ser utilizadas no preparo do sabão caseiro. O suco de mamão maduro normalmente não exige açúcar. Água e gelo já basta pra refrescar e alimentar. A dica é juntar um tanto de hortelã fresca ao suco para dar mais destaque ao sabor.

É a fruta presente da infância à velhice, já que auxilia pra tanta coisa! Desintoxica o organismo, proporciona o bom funcionamento do intestino e estômago e outros tantos benefícios. Foi a primeira fruta que introduzi ao meu filho, raspadinha de colher. Minha avó consumia religiosamente sua rodela generosa de mamão pela manhã para amenizar o peso dos medicamentos no estômago, sempre levei a sério seu ritual e quando algo não me cai bem, recorro a essa lembrança e peço socorro ao mamão.
Segue abaixo uma receita simples com essa fruta tão completa e potente!

 

Foto: O girassol da vizinha que espiou pelo muro e as folhas de mamoeiro ao fundo.

 
RECEITA DE DOCE RÁPIDO DE MAMÃO MADURO

Ganhamos de presente dos nossos vizinhos um mamão direto do pé mas que acabou ficando um tempo a mais na fruteira e, claro, fruta madura é ótima pra virar compota! Preparei uma chimia pra salvar o mamão e já ter um ótimo acompanhamento para o café da manhã e outros preparos. Segue a receita, que vale também para usar com aquele mamão pouco doce que pede um preparo a mais!
Receita
250g polpa de mamão
½ xícara de açúcar branco
Suco de ½ limão bergamota
2 a 3 cravos da Índia
Processar no liquidificador a polpa do mamão (um pouco de paciência até obter uma massa homogênea, o mamão já tem bastante água)
Colocar em uma panela (de fundo grosso para não queimar) o creme de mamão, o açúcar e os cravos, mexer em fogo médio/baixo
Depois que apurar fervura, juntar o suco de limão e seguir mexendo. Esperar dar o ponto do doce, ou seja, quando passar a colher no fundo e não grudar mais. Colocar em outro recipiente e reservar.
Pode ser consumido puro, com nata, no pão, como cobertura de bolos, cucas, recheios de biscoitos... Fica uma delícia! Bom proveito!


 

EDIÇÃO 246 / JUNHO / 2021

FESTA JUNINA PRAIEIRA BOLO DA FUBA

Os festejos de Junho são presentes no Brasil inteiro, herança portuguesa em devoção aos santos populares. Cada Estado e região tem sua história e tradição relacionadas às festas, com as vestimentas, danças, rituais, magias e pratos típicos locais. Aqui em Cidreira, no litoral norte do Rio Grande do Sul, buscando na história da gastronomia típica, encontramos a ligação com Santo Antônio da Patrulha, a "Terra da cachaça, sonho e rapadura". Este município tem forte relação com a cana de açúcar, tão logo com o açúcar mascavo, melado e derivados. Sabe-se que há muito tempo atrás, as carroças se deslocavam até a nossa praia para que o povo daqui pudesse usufruir dos doces produzidos por lá (e também traziam insumos pra produção local pelas doceiras daqui) como a rapadura, a paçoca, o pé de moleque., a carapinha. O Junho no Sul do Brasil é marcado pelo frio intenso, tão logo podemos associar às nossas festas o quentão, bebida feita com vinho e especiarias; o pinhão, a pinha da nossa araucária que é abundante e recorrente nas festas do RS; a batata doce, assada direto na brasa; arroz de leite, sagu com creme, ambrosia e muita coisa boa feita com o milho: Pipoca, canjica, milho cozido e assado e, claro, o clássico bolo de fubá. Segue abaixo essa receita deliciosa e típica da nossa região!
Bom proveito!

 

RECEITA DE BOLO DE FUBÁ COZIDO

INGREDIENTES:
2 xícaras de fubá
2 xícaras de açúcar mascavo
1 xícara de óleo
1 pitada de sal
2 xícaras de leite
3 ovos inteiros
1 colher de sopa de fermento químico

COMO FAZER:
Em uma panela, juntar o fubá, o açúcar, o óleo, o sal e o leite.
Misturar bem e levar ao fogo em altura média.
Aguardar ferver e colocar pra esfriar.
Enquanto isso, bater as claras dos 3 ovos em neve e reservar as gemas. Após a massa que foi ao fogo já estiver morna, juntar as 3 gemas e as claras em neve, misturando delicadamente.
Acrescentar o fermento e levar pra assar em forma untada e enfarinhada com farinha de fubá em forno pré-aquecido por 180 graus por 45 min (ou fazer o teste do palito até que saia sequinho).
Esperar amornar e bom apetite!


Edição 245 de abril de 2021

BANANA VERDE?!

Quem aí já ouviu falar em biomassa de banana verde? Parece gourmet, e infelizmente ficou conhecida assim.
Pouco se sabe, mas o uso da banana verde é herança indígena na nossa alimentação, seu preparo pode e deve ser simplificado, é um coringa nas comidas do nosso cotidiano.
O uso de frutos ainda verdes deve ser entendido como um todo: a Natureza indica o ponto certo de amadurecimento e de colheita, porém existem particularidades que muitas vezes impedem desse processo acontecer, portanto, não dispensar frutos ainda verdes é fundamental, já que muitas vezes não deixam de ser alimento.

A banana ainda verde não é tão comum de ser encontrada em mercados (mas vale pedir pra buscar no depósito), talvez seja mais fácil pra quem tem a sorte de ter uma bananeira no quintal de casa, ou a vizinha, ou dar a sorte de encontrar um terreno baldio com essa preciosidade.
Às vezes o Nordestão bate forte e derruba o cacho de banana verde, acabamos por aguardar pelo amadurecimento natural: aí mora a oportunidade de testá-la verde mesmo!

Em termos de nutrição, as propriedades são muitas: Fácil digestão (quando comparada a fruta já madura), ajuda no controle dos níveis de açúcar no sangue (prevenindo ou combatendo a diabetes), atua muito a favor do bom funcionamento do intestino (prevenindo o câncer do cólon), diminui os níveis de colesterol e ajuda no combate à depressão.
Em matéria de cozinha e preparo, fica ótima em pratos doces e salgados, versátil e base pra muitas receitas, possui fácil armazenamento e cabe no bolso de quem adora testar um ingrediente diferente.
Alimentação saudável é também alimentação acessível, justa, que caiba no bolso da gente, que seja familiar e com o que temos ao nosso redor.
A banana verde, graças a Deus, é assim.

Preparo básico da banana verde
A banana verde possui a casca muito resistente, sendo difícil de ser descascada quando crua, para auxiliar no processo e também armazenar antes de amadurecer, soltamos as bananas do cacho e cozinhamos as bananas com a casca em panela de pressão de 8 a 9 minutos.
Retiramos as bananas já cozidas da água e armazenamos inteiras na geladeira, com casca e tudo. (as cascas também podem ser usadas)

Para congelar, da mesma forma, inteiras e com casca. Quando for descongelar, aguardar uns minutos em temperatura ambiente antes de começar a trabalhar com ela.
Para preparo da biomassa da banana verde, bater em liquidificador com quantidade suficiente de água para ficar bem homogêneo. Conservar na geladeira em pote de vidro bem fechado. A biomassa facilita no preparo de receitas de bolos, sopas, cremes, massas e pães.

A RECEITA DE ALMÔNDEGAS DE BANANA VERDE
400g carne moída
400g banana verde cozida (uma parte só de polpa e outra parte com as cascas, ambas bem picadinhas)
1 ovo inteiro
1 cebola e 2 dentes de alho bem picadinhos
Tempero a gosto (orégano, salsinha, cebolinha, colorau, manjericão, curry)
Farinha da sua preferência pra dar liga (mandioca, trigo, de rosca, de arroz)
Dica
Tem ingrediente na geladeira precisando ser reciclado? Inclui na receita! Queijo, cenoura, talo de outros legumes, arroz cozido, lentilha...
Em uma tigela, misturar todos ingredientes e por último a farinha até dar liga, moldar na mão as almôndegas e ir reservando
Para fritar, óleo bem quente
Para assar, forma untada com óleo ou manteiga
Para cozinhar, em molho de tomate ralo com bastante água e com tampa (mínimo 10min)
Mais uma dica
A almôndega pré-cozida em água pode ser armazenada por até 6 meses no freezer ou já cozida por até 3 meses.

 

 


Edição 244 de março de 2021

A TAL DA ABÓBORA PAULISTA NAS TERRAS DO LITORAL GAÚCHO.

Ouvi muitas bocas comentando sobre a dificuldade de plantar na praia... “em terra de areia não nasce nada”, “tem muito sal na terra”, e por aí vai... mas isso não é verdade: com carinho e cuidado com a terra, o que se planta, cresce. A agricultura por aqui é forte, muitos dos que aqui vivem, seja na zona rural ou urbana de Cidreira tem essa atividade como algo familiar. Plantar é herança de família, o conhecimento sobre frutas e plantas é enraizado e perpetuado através das conversas e dos ensinamentos dos mais velhos. Conhecer e plantar, lógica tão potente. A horta no quintal de casa, com temperos, chás, arbustos e árvore de fruta, aquela relação que nasce da tranquilidade, com a brisa que vem do mar e nos inspira, nos estimula e se espraia.
O temperinho verde pra comida, o chá de capim cidreira ou macela pro chimarrão, a terra adubada e o pé descalço... Por onde quer que se ande nas nossas bandas, é comum a relação do homem com seu cantinho verde, tem sabedoria ancestral e sabor pra todos os lados.
Esses dias soube, através de uma amiga, que uma outra vizinha tinha abóbora paulista orgânica aos montes plantadas no pátio de casa, estava vendendo pra dar conta do consumo e fazer uns trocos durante a pandemia. Plantou, nasceu. E foram muitas. Enormes! Confesso que não conhecia muito essa variedade, prefiro a cabotiá, porém quando soube, quis experimentar, me aventurar. Ela esteve presente na nossa Cesta Orgânica, já descascada, congelada e pronta pra consumo, alaranjada, linda, firme. Se comparada às demais abóboras e morangas não fica tão cremosa, é mais fibrosa e pede um cozimento a mais, ou um preparo diversificado que entenda e respeite a sua dinâmica: bolos, sopas, caldos...
Desbravei uma receita de pão integral com o purê da abóbora paulista, que fiz de várias maneiras e formatos: Purê amassado no garfo, no liquidificador. Água morna, água fria. Incorporado antes, incorporado depois. Pão baguete e vários pãezinhos. O resultado final fica bom. Pão suave, leve, colorido.
Segue a receita que fiz várias vezes por aqui, pra comer com manteiga, cebola agridoce, geléia e me mantenho instigada: combina com mais o quê? É uma delícia!

 


A RECEITA DO PÃO DE ABÓBORA!

Pão de abóbora integral. Precisa de quê?
1 xícara farinha trigo branca / 1 xícara farinha trigo integral / 100g purê de abóbora / ½ xícara óleo / 1 xícara água / 1 e ½ colher açúcar / 1 colher sal / 1 pacote fermento biológico seco.
Como se faz?
Preparo do purê: Cortar a abóbora em cubos, colocar de 3 a 4 min no microondas ou cozinhar com o mínimo de água na panela até amolecer, pode colocar no liquidificador pra ficar mais liso ou só amassar no garfo, ambos dão certo e ficam ótimos!
Em uma tigela, misturar as farinhas, acrescentar o fermento, açúcar e a água.
Em seguida, o óleo, o purê e por último o sal.
Misturar até onde for possível na colher e em seguida dispor na bancada, sovar por 10 minutos.
Deixar descansar por 1h.
Abrir a massa, sovar mais uns minutos e modelar, pode ser um grande ou vários pequenos. Caso modele em bolinhas pequenas, deixar as “dobras” para baixo
Colocar em forma untada e enfarinhada, descansar 30 minutos e antes de colocar no forno pincelar uma gema sobre eles (opcional).
Forno pré aquecido, 200 graus, 30 minutos ou até corar em cima.
Tirar do forno, esperar esfriar um pouco e ser muito feliz!