Edição 245 de abril de 2021

BANANA VERDE?!

Quem aí já ouviu falar em biomassa de banana verde? Parece gourmet, e infelizmente ficou conhecida assim.
Pouco se sabe, mas o uso da banana verde é herança indígena na nossa alimentação, seu preparo pode e deve ser simplificado, é um coringa nas comidas do nosso cotidiano.
O uso de frutos ainda verdes deve ser entendido como um todo: a Natureza indica o ponto certo de amadurecimento e de colheita, porém existem particularidades que muitas vezes impedem desse processo acontecer, portanto, não dispensar frutos ainda verdes é fundamental, já que muitas vezes não deixam de ser alimento.

A banana ainda verde não é tão comum de ser encontrada em mercados (mas vale pedir pra buscar no depósito), talvez seja mais fácil pra quem tem a sorte de ter uma bananeira no quintal de casa, ou a vizinha, ou dar a sorte de encontrar um terreno baldio com essa preciosidade.
Às vezes o Nordestão bate forte e derruba o cacho de banana verde, acabamos por aguardar pelo amadurecimento natural: aí mora a oportunidade de testá-la verde mesmo!

Em termos de nutrição, as propriedades são muitas: Fácil digestão (quando comparada a fruta já madura), ajuda no controle dos níveis de açúcar no sangue (prevenindo ou combatendo a diabetes), atua muito a favor do bom funcionamento do intestino (prevenindo o câncer do cólon), diminui os níveis de colesterol e ajuda no combate à depressão.
Em matéria de cozinha e preparo, fica ótima em pratos doces e salgados, versátil e base pra muitas receitas, possui fácil armazenamento e cabe no bolso de quem adora testar um ingrediente diferente.
Alimentação saudável é também alimentação acessível, justa, que caiba no bolso da gente, que seja familiar e com o que temos ao nosso redor.
A banana verde, graças a Deus, é assim.

Preparo básico da banana verde
A banana verde possui a casca muito resistente, sendo difícil de ser descascada quando crua, para auxiliar no processo e também armazenar antes de amadurecer, soltamos as bananas do cacho e cozinhamos as bananas com a casca em panela de pressão de 8 a 9 minutos.
Retiramos as bananas já cozidas da água e armazenamos inteiras na geladeira, com casca e tudo. (as cascas também podem ser usadas)

Para congelar, da mesma forma, inteiras e com casca. Quando for descongelar, aguardar uns minutos em temperatura ambiente antes de começar a trabalhar com ela.
Para preparo da biomassa da banana verde, bater em liquidificador com quantidade suficiente de água para ficar bem homogêneo. Conservar na geladeira em pote de vidro bem fechado. A biomassa facilita no preparo de receitas de bolos, sopas, cremes, massas e pães.

A RECEITA DE ALMÔNDEGAS DE BANANA VERDE
400g carne moída
400g banana verde cozida (uma parte só de polpa e outra parte com as cascas, ambas bem picadinhas)
1 ovo inteiro
1 cebola e 2 dentes de alho bem picadinhos
Tempero a gosto (orégano, salsinha, cebolinha, colorau, manjericão, curry)
Farinha da sua preferência pra dar liga (mandioca, trigo, de rosca, de arroz)
Dica
Tem ingrediente na geladeira precisando ser reciclado? Inclui na receita! Queijo, cenoura, talo de outros legumes, arroz cozido, lentilha...
Em uma tigela, misturar todos ingredientes e por último a farinha até dar liga, moldar na mão as almôndegas e ir reservando
Para fritar, óleo bem quente
Para assar, forma untada com óleo ou manteiga
Para cozinhar, em molho de tomate ralo com bastante água e com tampa (mínimo 10min)
Mais uma dica
A almôndega pré-cozida em água pode ser armazenada por até 6 meses no freezer ou já cozida por até 3 meses.

 

 


Edição 244 de março de 2021

A TAL DA ABÓBORA PAULISTA NAS TERRAS DO LITORAL GAÚCHO.

Ouvi muitas bocas comentando sobre a dificuldade de plantar na praia... “em terra de areia não nasce nada”, “tem muito sal na terra”, e por aí vai... mas isso não é verdade: com carinho e cuidado com a terra, o que se planta, cresce. A agricultura por aqui é forte, muitos dos que aqui vivem, seja na zona rural ou urbana de Cidreira tem essa atividade como algo familiar. Plantar é herança de família, o conhecimento sobre frutas e plantas é enraizado e perpetuado através das conversas e dos ensinamentos dos mais velhos. Conhecer e plantar, lógica tão potente. A horta no quintal de casa, com temperos, chás, arbustos e árvore de fruta, aquela relação que nasce da tranquilidade, com a brisa que vem do mar e nos inspira, nos estimula e se espraia.
O temperinho verde pra comida, o chá de capim cidreira ou macela pro chimarrão, a terra adubada e o pé descalço... Por onde quer que se ande nas nossas bandas, é comum a relação do homem com seu cantinho verde, tem sabedoria ancestral e sabor pra todos os lados.
Esses dias soube, através de uma amiga, que uma outra vizinha tinha abóbora paulista orgânica aos montes plantadas no pátio de casa, estava vendendo pra dar conta do consumo e fazer uns trocos durante a pandemia. Plantou, nasceu. E foram muitas. Enormes! Confesso que não conhecia muito essa variedade, prefiro a cabotiá, porém quando soube, quis experimentar, me aventurar. Ela esteve presente na nossa Cesta Orgânica, já descascada, congelada e pronta pra consumo, alaranjada, linda, firme. Se comparada às demais abóboras e morangas não fica tão cremosa, é mais fibrosa e pede um cozimento a mais, ou um preparo diversificado que entenda e respeite a sua dinâmica: bolos, sopas, caldos...
Desbravei uma receita de pão integral com o purê da abóbora paulista, que fiz de várias maneiras e formatos: Purê amassado no garfo, no liquidificador. Água morna, água fria. Incorporado antes, incorporado depois. Pão baguete e vários pãezinhos. O resultado final fica bom. Pão suave, leve, colorido.
Segue a receita que fiz várias vezes por aqui, pra comer com manteiga, cebola agridoce, geléia e me mantenho instigada: combina com mais o quê? É uma delícia!

 


A RECEITA DO PÃO DE ABÓBORA!

Pão de abóbora integral. Precisa de quê?
1 xícara farinha trigo branca / 1 xícara farinha trigo integral / 100g purê de abóbora / ½ xícara óleo / 1 xícara água / 1 e ½ colher açúcar / 1 colher sal / 1 pacote fermento biológico seco.
Como se faz?
Preparo do purê: Cortar a abóbora em cubos, colocar de 3 a 4 min no microondas ou cozinhar com o mínimo de água na panela até amolecer, pode colocar no liquidificador pra ficar mais liso ou só amassar no garfo, ambos dão certo e ficam ótimos!
Em uma tigela, misturar as farinhas, acrescentar o fermento, açúcar e a água.
Em seguida, o óleo, o purê e por último o sal.
Misturar até onde for possível na colher e em seguida dispor na bancada, sovar por 10 minutos.
Deixar descansar por 1h.
Abrir a massa, sovar mais uns minutos e modelar, pode ser um grande ou vários pequenos. Caso modele em bolinhas pequenas, deixar as “dobras” para baixo
Colocar em forma untada e enfarinhada, descansar 30 minutos e antes de colocar no forno pincelar uma gema sobre eles (opcional).
Forno pré aquecido, 200 graus, 30 minutos ou até corar em cima.
Tirar do forno, esperar esfriar um pouco e ser muito feliz!